sexta-feira, outubro 24, 2014

Considerações de um amigo que mora na Bahia

Tu és a maior pessoa de Santiago

Tu és diferente
És um diferencial
 
RICARDO FERREIRA - DE SALVADOR-BAHIA

Sobre o amor, derrotas, perda e danos...e vitórias



Eu não sei se algum dia vou compreender o ser humano em sua essência. Ou se somos assim mesmo: incompreensíveis.

Nesse ano de 2014 experimentei as maiores derrotas de minha vida. No balanço final, no somatório, sei que será um caos. Também, foi o ano que mais perdi amigos, pessoas que amei e que – de repente – sumiram, evaporaram-se.

Perdi a esposa que eu amava, por tabela, acabei sendo afastado do convívio diário com a minha filha. Perdi minha casa e há meses convivo longe de minha biblioteca e dos meus apontamentos, livros, revistas, folders, desses que eu fui juntando ao longo de décadas. Perdi a identidade que eu criei, perdi o lugar e os amigos que eu amava.

Sofri alguns acidentes quase fatais, sofri processos por bobagens, e, contabilizei derrotas as quais jamais imaginaria.

Pessoas que ajudei, que fui justo com elas, abandonaram-me, sequer um e-mail ou um telefonema perguntando se estou vivo ou precisando de algo.

Hoje, contei para uma pessoa, quantas noites eu a Nina choramos abraçados na madrugada. Se tenho derrotas e amargas, tenho também vitórias. Minha filhinha, na madrugada, acaricia meu rosto, fala expressões como “papaizinho como eu te amo” e adormece sempre abraçada em meus braços.

Dias atrás, esquentei o mamá dela e fiquei no computador. Ela segurou a mamadeira e ficou, ficou, ficou...até que eu perguntei: “filha não vai mamar, vai esfriar teu mamá”. Ela respondeu: “estou esperando tu deitar comigo papai”. Confesso que chorei emocionado, desliguei o computador e deitei-me ao lado dela, que mamou e adormeceu como um anjo.

Outro dia, ela me fez passar uma vergonha terrível. Ela sabe que eu fico sozinho e quis me casar com uma professora. E chegou na professora e perguntou se ela era casada. Aí, quando me viu, saiu com essa pérola: com a ....não vai dar, ela já é casada. Fiquei imaginando a extensão da criatividade dela, da iniciativa, da compreensão da solidão do pai...da necessidade que ela própria sente do amor que eu tinha com a mãe dela e perdi. Uma filha assim é um doce, uma coisa amada, uma jóia rara.

São 22 horas dessa sexta-feira. Estou longe dela, mas estamos espiritualmente ligados. Quando ela chegar terá a mais doce surpresa. A pessoa que ela mais ama, disse-me uma coisa tão linda nesse início de noite, que certamente compensará todas essas derrotas. Fiquei pensando, quieto, sonolento pelos medicamentos, como foi lindo ouvir isso. Complexado com a pecha de mau, eu próprio fiquei pensando em Deus, como pode isso ter partido da pessoa que nós  mais amamos, cada um por um motivo, mas em comum, a identidade do amor, do carinho, do afeto e do reconhecimento de sua bondade.  As pessoas – de um modo em geral – confundem amor com sexo e mal entendem que é possível haver amor onde menos  se espera.

Sei lá, o Pastor Cláudio Cardoso me disse um dia que Deus tem seus mistérios. Enquanto escrevo esse texto, ouço um musical gospel que uma amiga indicou-me. Esse episódio dessa tarde, deve ser um desses tantos mistérios os quais o Pastor se referiu, pois ele entende das coisas divinas.

Sou errante, mas sou filho de Deus

Eu sou uma pessoa sensível, mas também sou bandido, pode-se dizer que sou um bandido sensível. 

Hoje à tarde, sentado em meu escritório, face-book ligado, resolvi esclarecer as coisas, descobrir o que eu houve, afinal, trata-se de uma pessoa que a gente gosta tanto, vê tanta bondade no coração, tanto afeto na alma e – de repente – nos afastamos, sem maiores explicações. 

Sei que uma vaca estúpida andou atropelando as coisas, mas também não sabia até onde. Por tudo, estava recuado, mas sentido, triste.

Outra, bloqueou-me, é claro que eu também senti e estava sentido.
Estou com o rosto inchado da batida, tomando uma carga de medicamentos, recluso, tarde triste e vazia.

Tenho a estranha sensação que Deus me aceita, me tolera, e até me ama um pouquinho. Pois criei coragem e puxei conversa com essa amiga que significa muito em nossa alma, pela sua bondade, pela sua pureza, pela sua fé, crença e aposta na humanidade. 

Conversamos, conversamos, conversamos, conversamos. A tristeza foi-se embora, sei que tudo continuará sendo como antes, expus com clareza o quanto ela é importante em nossa vida. Ela entendeu e mais do que entendeu, guardamos segredo de algumas coisas. Essa não é anja, como diz a Nina, é a própria Deusa. 

O dia merece, vou tomar uma reserva de vinho francês com cogumelos e pepinos, estou muito feliz, feliz, era uma pessoa que eu dava como perdida e eu estava totalmente enganado. Como Deus é bondoso e piedoso. Deus sabe das coisas. E no fundo, me ama, como seu filhinho errante, mas nem poderia deixar de ser diferente.

quarta-feira, outubro 22, 2014

Saudade palavra triste

As relações humanas são complexas demais. Hoje acordei com saudades de uma pessoa, e simplesmente escrevi uma palavra no seu face: SAUDADES. Logo apareceu uma tarja " Você está impedido temporariamente de enviar mensagens". Que tristeza me deu na alma, foi uma dor desconcertante, profundamente doída, senti-me um trapo de gente, uma migalha de sentimento, um abismo. Mas o que fazer: devo respeitar direito dessa pessoa, certamente alguma razão lhe assiste e não me cabe questionar, apenas registro minha dor, pois eu nutro um sentimento sincero, extremamente amoroso e amável por ela. Estou seguindo viagem para São Borja agora a tarde e me conheço, vou com o coração partido, sentindo aquela dor sufocante, buscando razões e construindo teses para a anti-razão. Perdoem-me pela vazão desse sentimento. Mas que é doído e machucado é. Mas que Deus toque em seu coração e perceba que nada disso é necessário e que o amor e o carinho devem prevalecer acima de orgulhos e vaidades. A SAUDADE é a manifestação de um sentimento sincero e apesar da tarja censurante fica registrada como parte de uma expressão de carinho e amor.

A cor da ruptura



Ontem, um amigo que eu apreendi a gostar muito, o Giovani Diedrich, ligou-me, deu voltas nos assuntos e – finalmente – revelou-me que sonhou que eu estava morto num necrotério e, cauteloso, pediu-me para eu cuidar-me.

Nossos sonhos são eivados de reflexões e simbologias. Certamente alguma razão assiste à lógica do meu prezado amigo.  Certamente, alguma comunicação mental, em algum nível subjetivo, houve.

Não sei se sou diferente das demais pessoas, mas a idéia objetiva de morte não me assusta; creio que minha passagem e a separação do meu corpo físico de minha alma será tranqüila (imagino eu). Talvez eu esteja enganado. Não sei.

A simbologia da morte nos sonhos, a rigor, pode ter outras simbologias. Pode ser até progresso da vida da pessoa como também pode ser uma ruptura.

Ruptura, sim, seja no plano espiritual, seja no plano material, creio que assiste razão ao sonho do meu amigo.  Já passei por rupturas, já perdi amigos e amigas, já perdi meus pais, já perdi sensações dos lugares por onde passei e que um dia amei, já perdi amizades que prezava muito, já perdi pessoas pelas quais nutri sentimentos de afeições e carinho; sei o que é a dor da perda, da sensação de separação, do deixar para trás, do ir avante e do tatear incerto nas vazias madrugadas de nossas vidas.

A ruptura não ter cor, tem a sensação de perda, de incertezas, de um passo no escuro sentimental em direção ao vazio de um abismo que se avizinha. 

terça-feira, outubro 21, 2014

Recordando, alguns amigos e amigas que vieram até meu escritório no dia do meu aniversário

Ruderson Mesquita, Diretor do HCS e Diretor Proprietário do Frigorífico Sagrillo

Nina, o papai e Ruderson Mesquita

Marco Peixoto, diretor da Rádio Itu, meu jovem amigo. Às vezes nos reunimos para chorar as mágoas dessas mulheres que não nos entendem.

Eu, Ruderson e Luciano Vieira

Nina, cantando parabéns com o papai.

Marisa Ourique e sua filihnha Emanuele

Militar Catelã e sua esposa LIZITE

Meu sobrinho, Rossano Prates, militar e  ex-inteligência do Exército e hoje Advogado, com seu filhinho Régis

Nina adora minha cadeira. O segredo destoante desse arquivo velho azul é que ele pertenceu ao Partido Comunista de Santiago e foi doado pelo pintor Portinari, nos anos 50.

Dra Marta Marchiori, minha pobre amiga cabanheira e o Prefeito Júlio Ruivo

Ruderson, exagerou e presenteou-me com um rolex de ouro

Nina e o papai

Arquiteto Artur Vieira, apontado pela crítica como maior arquiteto e Urbanista Santiago e região

Comandante-geral da Brigada Militar, meu querido amigo e confidente Major Ney, também esteve presente e foi o último a siar. Encanta o pessoal com suas histórias. E a Nina o chama de "o cavaleiro".

Prefeito Júlio Ruivo, Nina e o papai. O Julio Ruivo é meu amigo pessoal, trocamos ideias, ele me ouve muito, nunca tivemos divergências sérias. Ruivo é um técnico, estudioso e nosso Primeiro Prefeito com Mestrado. Tá na hora do Luciano fazer as iscas para atualizarmos os papos.

Crime ambiental

Estou com um relatório completo de uma ONG que levanta os crimes ambientais  na região. Pela primeira vez recebi o relatório que vai ao MP enviado pelas sec de meio ambientes. Destruíram florestas completas de butiazeiros. E as ambientalistas de asfalto? As fotos estão comigo e sei qual é o jornal que merece minha credibilidade. Mas isso é para a semana que vem.

A briga pela destino da Nina e minha falta constante de paz

Não sei mais se encontrarei paz enquanto essa mulher chamada Eliziane Pivoto Mello existir perturbando minha vida, ameaçando-me afastar-me da  Nina e apostando no quanto pior melhor.

Cumprindo minha palavra, entrei no autos do nosso processo de separação, no poder judiciário local, hoje pela manhã, e abri mão de qualquer bem material de nossa relação, da casa, carro, terrenos, gados...Fui taxativo ao explicitar que deixava tudo para ela e que ela desse o destino que bem entendesse.

Como a Nina quer um quarto da Barbye e  eu quero dar-lhe o quarto, pedi para falar com a Eliziane, que era - afinal - para decidirmos de uma vez por todas se ela vai ficar aqui ou se vai para Santa Maria.

Eu, pessoalmente, defendo que a Nina fique aqui, ela nasceu aqui, está na terceira etapa da escola da URI, tem um círculo social de relacionamento, tem interatividade, a escola é de excelente padrão, a Nina é conhecida por todos, é amável, todos gostam dela e a vida dela em Santiago é de perfeita harmonia. 

Convenhamos, quem quis sair de Santiago foi Eliziane Mello e durante todo o primeiro semestre de 2014 nunca se preocupou um dia de ficar com a Nina em Santa Maria. Ademais, quem veio propondo o fim do nosso relacionamento e elegou que gostaria de curtir a vida em Santa Maria, foi ela, não eu que estava em casa cuidando das nossas coisas e da nossa filha. 

Agora, ele descobriu que a Nina é mal penteada, mas durante todo o primeiro semestre de 2014 ela nunca viu isso?

Apesar de toda minha benevolência, abrindo mão de tudo a que eu tinha direito, Eliziane veio me dizer que vai levar Nina para Santa Maria e que guarda vai ficar com ela, não permitindo sequer a guarda compartilhada comigo.

Tudo o que eu queria era uma definição para a pobre da cabeça da criança. Foi pior, virou num caos.

Por tudo, como nossas relações foram sempre públicas, desde o nascimento da Nina, torno público que vou esgrimir todos os argumentos possíveis para que minha filhinha fique estudando aqui, no mesmo sistema de guarda compartilhada, com mãe dela pegando-a 3 dias por semana e nos demais eu me viro, cuido direitinho da minha filha,  ela passa me dizendo que quer ficar aqui, que adora a escola da URI, que adora os amiguinhos dela e essa situação, no meu pedido, perdurará até a conclusão do doutorado de Eliziane, que, afinal vem todos os finais de semana para Maçambará, na casa dos seus amáveis pais.

Quem lê isso aqui não sabe que desde cedo estou me incomodando. Tentei terminar a conversa com Eliziane e explicar que essa dela ficar só com a guarda não existe, mas ela não quis mais nem atender o telefone. 

Eu sou Pai e pai responsável. O destino da minha filha está nas minhas mãos, eu não fui irresponsável que sai de casa e deslumbrei-me com os encantos da vida fácil. Pelo contrário, sempre estive ali, nunca arredei pé e nunca vou arredar, pois sei que a paternidade consciente exige seriedade e renúncia.

Por tudo, meu recado fica dado a todos. Como advogado e  com os os demais colegas que estão comigo, nossa luta será para que Nina fique em sua cidade Natal, em nosso meio, no meio onde nasceu e se criou. 

A Eliziane devia ser mulher e ter honra pois ela alegou para mim, como justificativa da separação, que queria viver e aproveitar a vida, ir em shows, cinemas, isso e aquilo e ela sabe que eu não estou mentindo. Pois vá. Aproveite. Faça de sua vida o que bem entender, mas deixa essa criança em paz. 


 

segunda-feira, outubro 20, 2014

Quando a gente começa a morrer pela alma



Estou entrando amanhã,  no poder judiciário de Santiago, nos autos do  meu pedido de separação e partilha de bens, em face de minha ex-esposa Eliziane Pivoto Mello,  com um pedido formal de desistência de qualquer bem, casa, camioneta, terrenos e outros bem semoventes e que tudo seja revertido para ela usar como melhor entender.

Para mim, bem nenhum, nenhum dinheiro, nenhum valor, restituiria meu lar. Por outro lado, o que foi destruído, já está destruído e nada mais tem volta.

Eu amava minha casa, adorava minha biblioteca, adorava fazer jantas com a Nina, adorava cuidá-la madrugada adentro. Só eu sei o quanto eu era um homem feliz. Sábado à tarde, entrei na Farmácia São Leandro, num segundo encontro ao acaso,  encontro minha filhinha com sua mãe. Nina vem ao meu encontro, me beija, me acaricia e fica repetindo que me ama. Eliziane, seca, manda ela sair de perto de mim e entrar na camioneta. Fiquei sentado na cadeira da farmácia, pensando, se a minha tristeza é imensa, imagino a dor de minha filhinha que sempre viveu ao meu lado, dia e noite, desde que nasceu.

Matar em ser humano é muito fácil, basta o dedo no gatilho e pronto. Difícil mesmo é refletir como Albert Camus, a quem eu considero o maior filósofo francês de todos os tempos:  o suicídio é um problema filosófico verdadeiramente sério, pois decidir de se vale a pena ou não viver se constitui num verdadeiro problema filosófico.

Fernando Pessoa, foi mais brilhante ainda: “Por que vivo, quem sou, o que sou, quem me leva? Que serei para morte? Para vida o que sou?[...] Cerca-me o mistério, a ilusão e a descrença.[...] Ó meu pavor de ser, nada há que te vença! a vida como a morte é o mesmo mal!”
 
Sócrates, não teve o menor medo em dar cabo a sua vida, empregando o suicídio; e nem o prêmio Nobel de Literatura  Ernest Hemingway. Passando pelo Presidente Getúlio Vargas ao primeiro ministro francês Pierre Eugène Bérégovoy.

Como sociólogo, investiguei o suicídio, estudei o pensamento de Émile Durkheim. Não gosto de me vangloriar, mas certamente sou a pessoa em Santiago que mais tenho leituras sobre o suicídio, dos aspectos sociais aos psicológicos, embora eu ache a psicologia totalmente falha

Tempos atrás, o João Gentil franqueou-me os registros policiais e fiquei impressionado com a quantidade de suicídios ao longo dos anos em Santiago. Isso exigiria uma investigação séria.

É difícil a crença e desconvencer alguém de que vale a pena viver ou não vale a pena morrer. Dias atrás, eu ainda estava na minha casa, com minha família, e fui procurado por um rapaz. A história era simples, mas o caso era de morte, envolvia uma faker (que era a própria namorada dele). Como sair de um caso desses? Ele era um professor ali da Vila Nova. Ela fez-se passar por outra, na verdade era ela mesma. Ele aceitou os atrativos de outra. Ela sentiu-se traída pela faker, que  ela própria havia criado, e terminou com ele, que me procurou, relatando o desejo de suicidar-se.

A pessoa que não acredita que vai morar no céu, que tem dúvidas em seu coração e é corroída pela dor, e toma a decisão,  mais dias, menos dias, ela acaba se rendendo ao encanto do desconhecido em busca do existencialismo perdido.

Eu sou um caso típico. Não me considero doente, apenas não sei conviver com essa tristeza que tenho em minha alma. É uma tristeza muito forte, muito aguda, muito profunda, muito cortante. Em certos momentos, ela nos desequilibra. Eu tenho notado que todas as sextas-feiras, à tardinha, de forma absolutamente irracional, eu me preparo para ir para a casa de minha mãe. Aí, páro, penso, sento no sofá e relembro que minha mãe é morta e que nossa casa não existe mais.Ela está no cemitério.

É claro que isso é reflexo da perda da minha casa, com  a Lizi e a Nina, que era o lugar que eu amava, que me sentia bem em todos os finais de tarde,  para voltar.  Essa dor é só minha.

As pessoas olham de fora e falam com facilidade, monta outra casa, segue o baile. Mas com os sentimentos não é assim. Se eu pudesse, já teria feito.

A dor que eu sinto por dentro não me permite agir com tanta simplicidade. Meu amor na construção da minha casa, na edificação dos objetos, na criação da identidade, foi um processo complexo, levou anos, e – de repente – vi cair tudo – e tornei-me impotente para reagir, chega que tenho que fingir que sou um bom sociólogo, um bom advogado, um bom pai. Mas eu sei que meu mundo está destruído, que minha identidade está amorfa, que eu sou um zumbi.

Busco nas religiões, mas não tenho conseguido. Até num ser humano eu busquei, mas continuo mergulhado num poço sem saída, bebo vinho, tomo calmantes e quando oro para Deus é no sentido de abrandar minha dor, pois só eu sei o que eu tenho sofrido.

E é tudo engraçado. As pessoas não compreendem a dor da alma, elas olham para teu semblante, para teu aspecto físico, para tua roupa  e logo emitem o juízo: quantos piores que tu? Mas ninguém sabe que aparência é uma coisa e essência é outra.

Com a proximidade do Natal e ano novo  comecei a viver uma angústia aparovante. Anos, anos, eu sentia a mesma angústia, era um inferno dantesco ver o mundo cinza. Eu falava que não aguentava mais, até que foi preciso um tiro em cima do meu coração. Não sei por que Deus não me levou, hoje sinto as mesmas dores, as mesmas sensações, o mesmo pavor, sei que tenho uma filha, mas não sei mais cotejar, entre a alegria dela e a tristeza da minha alma. Sei que ela será minha filha por momentos, o meu sonho de sua criação foi-se água abaixo, e agora o que adianta ficar discutindo bens? O que eu queria era minha casa, meus amores, era a vivência, e isso eu perdi tudo, por isso mesmo, estou renunciando tudo.

Creio que nunca mais terei coragem de ter uma casa e nem forças para lutar pelo que eu perdi. Sempre fui desapegado mesmo de bens materiais, nunca quis juntar nada, não vejo a vida assim.

Vejo a vida pelo lado do amor. Adoro o sorriso de minha filhinha quando esta comendo ao meu lado, adoro quando ela sussurra que me ama. Vou viver disso enquanto der, enquanto a dor resistir, perdoem-me esse texto dessa segunda-feira, mas não poderia ser diferente. Poderia ser cálido?