sexta-feira, agosto 02, 2013

Leudo Costa

Nessa quinta-feira decidi abrir uma exceção: não fiquei no escritório após as 17 horas e fui para casa com a Nina e a Lizi. 

Chegando em casa, peguei a bicicleta e fui para o Ginasião, com a Nina na garupa. É quase inacreditável, mas a Nina brincou comigo até 21 horas. Ela brinca sem brinquedos, apenas com brinquedos fictos. Ela atribuiu-me sempre um papel das histórias infantis; hoje, fui "bota", o macaquinho amigo da Dora...e assim ela vai, criando cenários, imaginando situações, brincando e brincando.

Minha filha sempre me surpreende. Dias atrás, ela fez-me uma confissão dramática: "papai, eu não vou obedecer mais ninguém". 

Fiquei chocado com a rebeldia, afinal não sei como ela metaboliza isso aos 3 anos de idade. Ouvi quieto, apenas ponderei que eu nunca mandei nela. Ela apenas concordou, mas, ... e a mãe?

Eu imagino que as crianças conversam entre si. Ontem a tarde ela perguntou se quando ela cassasse com o namorado dela ela teria que se mudar de casa? Ponderei que não, só se ela quisesse. Aí ela saiu-me com outra: então eu posso ficar morando contigo? 
Rindo, respondi: - Claro, é só trazer teu namorado. 
Ela foi mais enfática: - então tu cuida de nós dois?
Respondi: - claro filha!
Ela concluiu: - então eu vou ficar morando com vocês. 

Tive que dar boas risadas.

E assim vamos indo. Terça-feira a noite, Nina me contou que a Escola da URI está fazendo uma festa para o dia dos pais. E disse que ía me levar como melhor amigo dela. Confesso que não entendi bem, e tentei entender a situação. Ela foi se explicando ao modo dela, contando-me que na festa é para levar um amigo, mas que eu sou pai e melhor amigo dela, por isso ela vai me levar

Assim é minha vida em Santiago ao lado de minha filhinha. Não sei o que será do futuro e nem sei o que a vida me reserva, por isso não quero deixar espaços para arrependimentos, e assim procuro dar o melhor de mim como pai.

Na noite dessa quinta-feira, ao chegar em casa, quase 21 horas e 30 minutos, olho meu celular, que tinha ficado em casa. Seis ligações do Ângelo Giuliane. Sinto-me constrangido com a ausência. Pego a camioneta e vou até a Gaúcha ouvir meu querido amigo.

Chegando na Gaúcha, um ponto sempre atrativo de encontros amáveis, reencontro o amigo trabalhista de mais de 35 anos, Adilson Lima e o José Freitas, ex-presidente do PDT de Santiago.

Sentados, tomavam cerveja e conversavam sobre política. O amigo Marco Peixoto e o Xavier, jantavam...sinal de que o ambiente é prestigiado e propício aos debates políticos. 

Após conversar com o amigo Ângelo, sento-me com o José Freitas, grande líder trabalhista e político ligadíssimo, e com o talentoso amigo Adilson Lima. 

Adilson relembra uma madrugada fria do mês de julho de 1982, quando ele era presidente da ASE - Agremiação Santiaguense de Estudantes - e eu e ele liberamos, a partir das 4 hora da manhã, uma ocupação da torre da igreja matriz, às vésperas da demolição. Foi um choque para os padres progressistas e demolidores...Logo estavámos cercados pela Brigada Militar. 

Como eu estava com pressa, José quer saber de Leudo Costa. Queria saber por que tiraram nosso programa do ar?

Enfático, como sempre, emite fortes opiniões sobre o Programa Sem Nome que Leudo Costa fazia e eu ajudava-lhe com opiniões. 

- Esse foi o melhor programa de Rádio de Santiago...Vocês tavam lá não sabiam avaliar, mas a cidade estava parada, chegava aquela hora, só queriam ouvir vocês, ninguém mais trabalhava. E vocês não sabem, eu andava pela região, foi a coisa mais sensacional que já tivemos.
 
Ponderei sobre os custos. José retrucou. - Que nada, um programa desses tem que ser bancado por nós. Eu dava dois mil reais por mês e eu conheço horrores de gente que queriam pagar, assim com eu.

E José seguiu emitindo juízos sobre o Programa, sobre Leudo e sobre minha pessoa.

Desculpei-me com os meus dois grandes amigos e ponderei-lhes que a Nina e a Lizi estavam sozinhas e me esperando. Apertei suas mãos e vim-me para casa. 

Achei que ía encontrar a Nina dormindo. Que nada, esperava-me com um monte de brinquedos em cima de minha cama. Segui minha missão de pai e agora, quando já passam da meia-noite, encontro um tempinho para ser blogueiro.