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sábado, junho 17, 2017

Santiago: vamos para 6 meses de depressão, mediocridades e factóides

Estranho mesmo é a ausência de análises críticas dos 6 meses do governo Tiago Gorski. Santiago, a despeito de ostentar títulos de cidade educadora e terra dos poetas, na verdade, vive uma insipiência sem precedentes. 

A universidade local, acrítica e subserviente ao poder público municipal, gessada pelos convênios e laços familiares, tem uma produção crítica acerca da política abaixo da linha da miséria dos miseráveis. 

Os demais polos universitários, que vivem essencialmente do comércio da educação, reproduzem um sistema caótico, anacrônico e acrítico com relação ao saber, que é vendido empastelado; são centros que não discutem o futuro do município e da região, não debatem o mercado de trabalho, novas formas de inserção e nem perspectivas industriais e comerciais para o micro-polo regional que representamos. 

A imprensa local, dominada pelas verbas institucionais e outros arranjos familiares, não justifica sua razão de ser. 

O prefeito Tiago representa um governo medíocre, sem vergonha da sucessão de factóides, como se um ato individual de empunhar uma moto-serra ou empurrar um ônibus, fosse se configurar em aspecto amplo de alguma política macro que se configurasse a expressão de um governo de atitude. 

Até aqui o que viu foi marketing pessoal em cima do que todos fazem. Só que os demais, Toninho, Chicão e Ruivo não tinham tamanha cara de pau de exporem ao ridículo. O que vê em Santiago, ante o nada de concreto, são ações pontuais de um prefeito tirando fotos enquanto os outros trabalham. 

A única coisa boa que existe no mar de mediocridade é o ação do marqueteiro Márcio Brasil, talentoso jornalista e escritor, que faz a administração andar. Ele faz a parte dele, o que é louvável, agora o resto ... nunca vi tanto marasmo, tanta mediocridade política, tanta ausência de uma linha programática. 

A carência começa pelas EMEIs, onde foram buscar dicas com Esteio. Aumentam o horário das creches. Isso é o mínimo que se esperava, afinal as vilas são celeiros de mão-de-obra barata e qualificada. O mínimo que se pode fazer é segurar as crianças enquanto os pais trabalham.

Mas as grandes questões macros...até aqui, um desastre. Não foi feito nada para gerar empregos e nem subverter a matriz econômica. Grassa miséria e desemprego nas vilas. Carência quase absoluta. As pessoas continuam sem emprego, sem alternativas de trabalho, não houve nenhum movimento no sentido da industrialização da nossa matéria-prima. Parece até que não existe governo municipal. 

(E o que é pior: o êxodo às avessas. É o povo de Caxias e Bento batendo em retirada). 

Se não existe política industrial e de atração de investimentos, o comércio local se ressente da falta de dinheiro circulando na economia; vendas em baixo e basta  um giro pelo centro e adjacências e o que mais se vê são salas vazias para alugueres, sinal evidente da miserabilidade e do empobrecimento.

O que está em alta mesmo é a criminalidade. Jovens enfiados em vilas, sem futuro, sem perspectivas, atolam-se na drogadição e álcool desenfreado. 

Política habitacional zero. Ainda esperamos pelas 60 casas populares, promessa de campanha para o primeiro ano. A demanda atinge em torno de 3 mil pessoas, e mesmo que se cumpra a promessa das 60 casas ainda assim persistirá o maior deficit da história habitacional de Santiago. 

O que mais cresce em Santiago são farmácias e igrejas evangélicas. Um povo doente, precisa de medicamentos para aliviar o desconforto da vida. As igrejas evangélicas antes de representaram uma conversão divina ao Eterno, são - sim - um escopo, uma busca desenfreada na fé cega e irracional, como se Deus fosse solucionar o que os gestores públicos deveriam solucionar e buscar: atração de investimentos, geração de empregos e alternativas de rendas e rendimentos.  

Santiago vive uma dubiedade sem precedentes. As classes altas e médias dominantes conseguem ostentar um certo padrão de vida. Agora, a grande massa do proletariado, confinada em vilas, deixa de comer para pagar uma conta de água e luz. É um povo marcado pela desesperança, pela miséria e pelo caos existencial, derivado do caos econômico que atingiu em cheio as famílias de classes C, D e E de nosso município. 

Curiosamente, a mesma massa populacional que deu a vitória a Tiago/Cláudio e agora arde sem respostas. 

Cláudio, a rigor, ainda faz a parte dele. Ora, semeia sonhos, abranda a miséria com a semente da esperança de uma vida boa pós morte.  Não deixa de ser um sonho para quem só conhece a miséria material. Mas Tiago é patético. É um prefeito impotente, não tem e não sabe buscar alternativas para romper um ciclo de miséria e está enredado em seu próprio círculo de escorpião. 

Como as perspectivas macro são terríveis e ainda sequer entramos no olho do furacão da crise, a tendência é que a miséria se aguçe em Santiago. Sem chances, sem melhoras, o caos se aproxima e cerca Santiago por todos os lados. 

Mas ainda restam os shows de factóides, quem quiser se iludir, que se iluda, mas haverá o dia em que todos começarão a abrir os olhos. Aí poderá ser tarde. E todos descobriremos que o partido dominante, afora manter o status quo de suas famílias, não tem nada a oferecer a Santiago. 

Quando formos completar 12 meses desse governo caótico que aí está, lembrarei deste artigo alusivo-crítico aos 6 meses que vão se completar e que nos levou do nada a lugar nenhum.