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quinta-feira, outubro 12, 2017

“ todos os seres circundam uns aos outros. Tudo é fluxo perpétuo. O que é um ser? A soma de um certo número de tendências. E a vida? A vida é uma sucessão de ações e reações. Nascer e viver e morrer é mudar de forma”.

Maurice Barrés, o ultraconservador do século XX, considerava Diderot e Rousseau “as duas grandes forças da desordem”, segundo ele, “responsáveis por muitos males”.



Denis Diderot logo compreendeu a determinação das estruturas sobre a ação do indivíduo e escreveu: “ sou como sou, porque foi preciso que me tornasse assim. Se mudarem o todo, também serei mudado, o todo está sempre mudando”.


Em sua espetacular obra, “No sonho de D´ALEMBERT, colocava palavras na boca de um amigo que, sonhando pronunciava: “ todos os seres circundam uns aos outros. Tudo é fluxo perpétuo. O que é um ser? A soma de um certo número de tendências. E a vida? A vida é uma sucessão de ações e reações. Nascer e viver e morrer é  mudar de forma”.


Já na obra “NO SUPLEMENTO DE À VIAGEM DE BOUGAINVILLE”, o sábio Diderot aconselhava a desconfiar de todas as instituições, civis, políticas, religiosas e foi mais longe “ ou muito me engano ou o gênero humano será subjugado a cada século por um punhado de enganadores”.



Entretanto, a obra prima de Diderot é mesmo o “O SOBRINHO DE RAMEAU”, sendo que nessa magnífica obra o filósofo relata a conversa com um jovem vigarista; porém, de uma forma genial, coloca na boca do vigarista uma audaz defesa da vigarice, cujo escopo era atingir a moral vigente.


Séculos se passaram e as previsões desses filósofos são tão atuais como a telemática nos dias de hoje.


Rousseau, citado por Barrés, também como força da desordem, também não tinha confiança na razão humana. O problema que Rousseau se defrontava era assegurar as bases de um CONTRATO SOCIAL que permitisse aos homens terem na vida social a liberdade capaz de compensarem o sacrifício da liberdade com que nasceram. Observando a sociedade e suas estruturas e superestruturas, é fácil identificar a ação das estruturas sobre os homens, principalmente a infra-estrutura econômica e a superestrutura jurídica. Rousseau pregou mudanças profundas e  elas deveriam ser feitas por homens organizados e sérios. E mais: previu que elas não seriam pacíficas.


Séculos nos separam de Diderot e Rousseau, mas eles continuam fazendo escola. 

Hoje conversava com uma amiga sobre os as instâncias e juízos morais. Outro dia, almoçando com a amiga Karine, que é médica-psiquiatra e ela me dizia que o homem não foi feito para viver sozinho, alusão a minha condição civil. É claro, a Karine foi minha noiva e sabe bem o que eu penso da condição da mulher. Eu tenho um padrão ético e não posso ferir a mim mesmo. Nunca fui em boates, nunca entrei num bailão. Vivo quieto dentro de minha casa. Nos finais de semana e a noite, só saio para fazer minhas refeições. É óbvio que não vou encontrar um mulher para constituir um lar e ter uma família nestes ambientes. 

Então, procuro administrar a minha solidão. Não sou um desesperado, não entro em qualquer jogada, e estou mais para contrariar a tese da doutora. Vivo sozinho, vivo eu comigo mesmo, às vezes, quando me desespero, choro quieto e silencioso, mas não me permito experiências que eu já sei como começam e como terminam. Se eu não encontrar uma mulher com o mesmo padrão moral meu, é óbvio que vou morrer sozinho. 


É a desgraça da desordem. Vivo quieto. 

Tenho lucidez dos governos porcos, dos espertalhões e sei discernir tudo pelo olhar, pelos gestos e pelas verdades e mentiras, mesmo que seja uma mentira embutida numa verdade. 

Em Eneida, de Vergílio, canto 2, verso 65, aparece a frase: “ab uno disc omnes”, que quer dizer, por uma se conhece todas. Maldição, pior é que é verdade. Por isto, busquemos a exceção. Estou atrás de uma rsrsrsrrsrs.

Eu fiz isto, em 2009, no meu livro A ARTE DE ENGANAR O POVO.